Ir para o conteúdo
Falar no WhatsApp

A UNICAMP não pede dissertação: os gêneros que a banca cobra e como treinar cada um

Quem chega na prova da UNICAMP escrevendo dissertação escolar entrega o texto errado. A banca pede um gênero específico, para um leitor específico, com um objetivo específico.

Existe um erro que a UNICAMP pune todo ano e que nenhuma outra banca pune: escrever uma dissertação quando a proposta pedia outra coisa. O aluno treinou dois anos o modelo de introdução, dois desenvolvimentos e conclusão com proposta de intervenção — e a proposta pedia uma carta de leitor, um relato ou um texto de divulgação científica.

A prova da UNICAMP trabalha com gêneros textuais. Isso significa que, além do tema, a proposta define três coisas que precisam aparecer no seu texto.

Os três parâmetros que a UNICAMP sempre define

Gênero

Carta aberta, carta de leitor, artigo de opinião, relato, texto de divulgação científica, discurso, resenha. Cada um tem convenções próprias de forma e registro.

Interlocutor

Para quem você escreve. Um secretário municipal, os leitores de um jornal de bairro, colegas de escola, uma comunidade científica. Isso determina o grau de formalidade, o que precisa ser explicado e o que pode ser pressuposto.

Propósito

Para quê. Convencer, denunciar, informar, mobilizar, relatar. O propósito define a estrutura argumentativa — um texto que informa organiza-se diferente de um que convence.

A banca avalia se você respeitou os três. Uma carta ao secretário escrita como artigo de jornal perde ponto mesmo com boa argumentação, porque errou o gênero.

Os gêneros mais cobrados e o que muda em cada um

Carta (aberta, de leitor, de solicitação)

Precisa de vocativo, de despedida e de marcas de interlocução — momentos em que você fala diretamente com quem lê. “Como o senhor sabe”, “peço que considerem”, “escrevo na condição de morador do bairro”.

É o gênero em que mais se erra por excesso de formalidade: uma carta ao secretário não é um ofício jurídico, é um texto de alguém dirigindo-se a alguém.

Artigo de opinião

O mais próximo da dissertação — e por isso o mais traiçoeiro. A diferença: o artigo de opinião assume autoria. Ele pode usar primeira pessoa, pode ser ácido, pode ter título. A dissertação escolar não tem nada disso.

Relato

Narra uma experiência com um propósito argumentativo por trás. Exige tempo verbal narrativo e progressão temporal — e, mesmo assim, precisa levar a algum lugar. Relato não é redação sem tese: é tese sustentada por experiência.

Texto de divulgação científica

Traduz um conhecimento técnico para quem não é da área. O erro típico é escrever para o especialista, mantendo o jargão. O trabalho aqui é de mediação: explicar sem simplificar até o ponto de falsear.

O que a coletânea faz na UNICAMP

Como na FUVEST, a coletânea é material de trabalho — e na UNICAMP costuma ser ainda mais determinante, porque frequentemente traz os dados que o seu texto vai usar. Ignorá-la é abrir mão de metade do repertório disponível.

Mas a regra também vale aqui: usar não é copiar. Paráfrase extensa dos textos de apoio é penalizada.

Como treinar gênero de verdade

O exercício mais eficiente é o mais desconfortável: pegue um mesmo conteúdo e escreva-o três vezes, em três gêneros diferentes, para três interlocutores diferentes.

Um tema sobre descarte de lixo eletrônico, por exemplo:

  • como carta ao secretário de Meio Ambiente, pedindo pontos de coleta no bairro;
  • como artigo de opinião num jornal, defendendo responsabilidade das fabricantes;
  • como texto de divulgação científica, explicando o que acontece com os metais pesados no solo.

Mesmo assunto, mesma pesquisa, três textos que não se parecem. Depois desse exercício, a pergunta “que gênero é esse?” deixa de assustar na hora da prova.

Tabela: o que muda de gênero para gênero

GêneroPessoaMarca obrigatóriaRisco típico
Carta1ª e 2ªVocativo e despedidaFormalidade excessiva
Artigo de opinião1ª ou 3ªTese assumidaVirar dissertação escolar
Relato1ªProgressão temporalNarrar sem argumentar
Divulgação científica3ªMediação do jargãoEscrever para o especialista

E se você presta UNICAMP, FUVEST e ENEM?

É o caso mais comum entre nossos alunos, e a resposta não é treinar três coisas separadas. É treinar o mesmo repertório e aprender a reformatá-lo — porque o conteúdo se aproveita inteiro entre as três provas; o que muda é a embalagem.

Na aula, isso vira um exercício concreto: o aluno traz um texto e a gente o reescreve ao vivo sob a exigência de outra banca. Vê-se na hora o que se perde e o que se ganha. É a diferença entre saber a teoria dos gêneros e conseguir executá-la sob relógio.

Comece pelo acervo de temas, que traz propostas reais da UNICAMP com o gênero indicado, ou fale com a gente dizendo qual prova você presta e quando ela é.

Perguntas frequentes

A UNICAMP aceita dissertação argumentativa?

Só quando a proposta pede. Se ela define outro gênero, entregar dissertação é desrespeitar o comando e a nota cai.

Posso usar primeira pessoa na redação da UNICAMP?

Depende do gênero. Em carta e relato, sim, e frequentemente é obrigatório. Em texto de divulgação científica, normalmente não.

Preciso inventar um nome e assinar a carta?

Não assine com nome real nem invente identidade que possa identificar você — isso pode ser tratado como identificação indevida. Uma assinatura genérica do papel social pedido pela proposta resolve.

A UNICAMP cobra proposta de intervenção?

Não como o ENEM cobra. Se o propósito definido pela proposta for mobilizar ou solicitar algo, aí sim uma sugestão concreta faz parte do texto — mas por exigência do gênero, não de uma competência à parte.

Repertório só vale se virar texto

Traga um texto seu. A gente lê junto.

A primeira conversa serve para entender qual prova você presta e onde a nota está travando.

Falar com quem corrige Ou veja os temas abertos

Continuar lendo
Tema novo no e-mail

Um tema por semana, com a grade de correção junto.

Proposta, repertório e os erros que mais derrubam nota. É o mesmo material do acervo, chegando antes. Sem cobrança e sem propaganda de curso.

Inscrição de e-mail