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	<title>UNICAMP &#8211; Redação e Dialogia</title>
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	<description>Aulas e correção de redação para vestibular e ENEM</description>
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		<title>A UNICAMP não pede dissertação: os gêneros que a banca cobra e como treinar cada um</title>
		<link>https://redacaoedialogia.com.br/generos-textuais-redacao-unicamp/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Fabrício Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 09:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[UNICAMP]]></category>
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					<description><![CDATA[Quem chega na prova da UNICAMP escrevendo dissertação escolar entrega o texto errado. A banca pede um gênero específico, para um leitor específico, com um objetivo específico.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Existe um erro que a UNICAMP pune todo ano e que nenhuma outra banca pune: <strong>escrever uma dissertação quando a proposta pedia outra coisa</strong>. O aluno treinou dois anos o modelo de introdução, dois desenvolvimentos e conclusão com proposta de intervenção — e a proposta pedia uma carta de leitor, um relato ou um texto de divulgação científica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prova da UNICAMP trabalha com <strong>gêneros textuais</strong>. Isso significa que, além do tema, a proposta define três coisas que precisam aparecer no seu texto.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Os três parâmetros que a UNICAMP sempre define</h2>



<h3 class="wp-block-heading">Gênero</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Carta aberta, carta de leitor, artigo de opinião, relato, texto de divulgação científica, discurso, resenha. Cada um tem convenções próprias de forma e registro.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Interlocutor</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Para quem você escreve. Um secretário municipal, os leitores de um jornal de bairro, colegas de escola, uma comunidade científica. Isso determina o grau de formalidade, o que precisa ser explicado e o que pode ser pressuposto.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Propósito</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Para quê. Convencer, denunciar, informar, mobilizar, relatar. O propósito define a estrutura argumentativa — um texto que informa organiza-se diferente de um que convence.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A banca avalia se você <strong>respeitou os três</strong>. Uma carta ao secretário escrita como artigo de jornal perde ponto mesmo com boa argumentação, porque errou o gênero.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Os gêneros mais cobrados e o que muda em cada um</h2>



<h3 class="wp-block-heading">Carta (aberta, de leitor, de solicitação)</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Precisa de vocativo, de despedida e de <strong>marcas de interlocução</strong> — momentos em que você fala diretamente com quem lê. &#8220;Como o senhor sabe&#8221;, &#8220;peço que considerem&#8221;, &#8220;escrevo na condição de morador do bairro&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É o gênero em que mais se erra por excesso de formalidade: uma carta ao secretário não é um ofício jurídico, é um texto de alguém dirigindo-se a alguém.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Artigo de opinião</h3>



<p class="wp-block-paragraph">O mais próximo da dissertação — e por isso o mais traiçoeiro. A diferença: o artigo de opinião <strong>assume autoria</strong>. Ele pode usar primeira pessoa, pode ser ácido, pode ter título. A dissertação escolar não tem nada disso.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Relato</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Narra uma experiência com um propósito argumentativo por trás. Exige tempo verbal narrativo e progressão temporal — e, mesmo assim, precisa levar a algum lugar. Relato não é redação sem tese: é tese sustentada por experiência.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Texto de divulgação científica</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Traduz um conhecimento técnico para quem não é da área. O erro típico é escrever para o especialista, mantendo o jargão. O trabalho aqui é de <em>mediação</em>: explicar sem simplificar até o ponto de falsear.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que a coletânea faz na UNICAMP</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Como na FUVEST, a coletânea é material de trabalho — e na UNICAMP costuma ser ainda mais determinante, porque frequentemente traz os dados que o seu texto vai usar. Ignorá-la é abrir mão de metade do repertório disponível.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a regra também vale aqui: <strong>usar não é copiar</strong>. Paráfrase extensa dos textos de apoio é penalizada.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Como treinar gênero de verdade</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O exercício mais eficiente é o mais desconfortável: pegue <strong>um mesmo conteúdo</strong> e escreva-o três vezes, em três gêneros diferentes, para três interlocutores diferentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um tema sobre descarte de lixo eletrônico, por exemplo:</p>



<ul class="wp-block-list">

<li>como <strong>carta ao secretário de Meio Ambiente</strong>, pedindo pontos de coleta no bairro;</li>


<li>como <strong>artigo de opinião</strong> num jornal, defendendo responsabilidade das fabricantes;</li>


<li>como <strong>texto de divulgação científica</strong>, explicando o que acontece com os metais pesados no solo.</li>

</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo assunto, mesma pesquisa, três textos que não se parecem. Depois desse exercício, a pergunta &#8220;que gênero é esse?&#8221; deixa de assustar na hora da prova.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Tabela: o que muda de gênero para gênero</h2>



<figure class="wp-block-table"><table><thead><tr><th>Gênero</th><th>Pessoa</th><th>Marca obrigatória</th><th>Risco típico</th></tr></thead> <tbody> <tr><td>Carta</td><td>1ª e 2ª</td><td>Vocativo e despedida</td><td>Formalidade excessiva</td></tr> <tr><td>Artigo de opinião</td><td>1ª ou 3ª</td><td>Tese assumida</td><td>Virar dissertação escolar</td></tr> <tr><td>Relato</td><td>1ª</td><td>Progressão temporal</td><td>Narrar sem argumentar</td></tr> <tr><td>Divulgação científica</td><td>3ª</td><td>Mediação do jargão</td><td>Escrever para o especialista</td></tr> </tbody></table></figure>



<h2 class="wp-block-heading">E se você presta UNICAMP, FUVEST e ENEM?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">É o caso mais comum entre nossos alunos, e a resposta não é treinar três coisas separadas. É treinar <strong>o mesmo repertório</strong> e aprender a reformatá-lo — porque o conteúdo se aproveita inteiro entre as três provas; o que muda é a embalagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na aula, isso vira um exercício concreto: o aluno traz um texto e a gente o reescreve ao vivo sob a exigência de outra banca. Vê-se na hora o que se perde e o que se ganha. É a diferença entre saber a teoria dos gêneros e conseguir executá-la sob relógio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comece pelo <a href="/temas/">acervo de temas</a>, que traz propostas reais da UNICAMP com o gênero indicado, ou <a href="/contato/">fale com a gente</a> dizendo qual prova você presta e quando ela é.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Perguntas frequentes</h2>



<h3 class="wp-block-heading">A UNICAMP aceita dissertação argumentativa?</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Só quando a proposta pede. Se ela define outro gênero, entregar dissertação é desrespeitar o comando e a nota cai.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Posso usar primeira pessoa na redação da UNICAMP?</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Depende do gênero. Em carta e relato, sim, e frequentemente é obrigatório. Em texto de divulgação científica, normalmente não.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Preciso inventar um nome e assinar a carta?</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Não assine com nome real nem invente identidade que possa identificar você — isso pode ser tratado como identificação indevida. Uma assinatura genérica do papel social pedido pela proposta resolve.</p>



<h3 class="wp-block-heading">A UNICAMP cobra proposta de intervenção?</h3>



<p class="wp-block-paragraph">Não como o ENEM cobra. Se o propósito definido pela proposta for mobilizar ou solicitar algo, aí sim uma sugestão concreta faz parte do texto — mas por exigência do gênero, não de uma competência à parte.</p>
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